23 países no mundo superam a taxa de 60% de amamentação exclusiva em crianças menores de 6 meses, segundo a OMS. Brasil não está nesse grupo.
Somente 38,6% dos bebês brasileiros se alimentam só com o leite da mãe nos primeiros 5 meses de vida, segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde divulgado nesta terça-feira (1º). A taxa é considerada abaixo do ideal, mas regular em relação a outros países pela OMS. A média mundial de amamentação nos primeiros 6 meses de vida fica em torno de 20% a 40%.
No quesito alimentação exclusiva de leite nos primeiros meses, o país está na frente da Argentina (33%) e atrás da Bolívia (64,3%). Quando considerada a amamentação até 1 ano, o índice brasileiro melhora (47%). Até os 2 anos, contudo, esse número cai pela metade (26%).
A OMS ressaltou que apenas 23 países no mundo superam a taxa de 60% de amamentação exclusiva nos primeiros meses. A avaliação, a Global Breastfeeding Scorecard, analisou a amamentação em 194 países.
A entidade também avalia como crítico o investimento do Brasil em amamentação, que é de menos de US$ 1 por bebê. O Brasil sai na frente em regulamentações e diretrizes governamentais para a área.
Incentivo e dificuldades
A entidade afirma que um investimento de US$ 4,70 por bebê pode aumentar a taxa global de amamentação exclusiva entre crianças menores de seis meses para 50% até 2025. Essa meta poderia salvar 520 mil crianças menores de 5 anos e trazer um ganho economico de US$ 300 bilhões nos próximos dez anos.
"Campanhas para o incentivo da amamentação vêm desde os anos 1990 e ainda temos alguns problemas", diz Marisa Patriarca, médica ginecologista e professora da pós-graduação da Unifesp. "Existe certa dificuldade da sociedade entender e apoiar a importância da amamentação." Para Marisa, é necessária estrutura adequada para amamentar: "Empresas devem ter locais adequados e a mulher deve se sentir à vontade para amamentar em qualquer lugar."
Prevenção de mortes
Uma das principais preocupações da OMS com a amamentação é a tentativa de diminuir o número de óbitos no momento em que bebês estão particularmente mais fragilizados, ou seja, nos primeiros meses de vida. A amamentação previne diarreia e pneumonia, duas das maiores causas de morte em crianças.
"É nesse momento que a mãe vai passar todos os anticorpos e nutrientes para o bebê", explica Marisa. O leite materno contribui para a saúde em todos os aspectos e para o desenvolvimento cognitivo ao longo da vida.
Saúde da mãe e licença
"Ela não vai conseguir uma boa produção e um leite de qualidade se não estiver bem nutrida e alimentada. Tudo começa ainda na gravidez", explica a ginecologista. "Um ambiente de muito estresse também pode impedir a produção do leite."
Outra dificuldade no Brasil é o prazo da licença maternidade, de 120 dias. "Depois que a mulher volta ao trabalho, ela encontra muita dificuldade de amamentar", diz Marisa.