É possível deter essa doença sorrateira que se alastra em ritmo de epidemia e pode ter consequências graves. A melhor prevenção está ao nosso alcance: adotar quanto antes hábitos saudáveis.
O Brasil ocupa o quarto lugar entre os países com maior incidência de diabetes: 12 milhões apresentam a doença, causada por insuficiência da produção ou da ação da insulina, que leva ao aumento das taxas de glicose no sangue. Já são 415 milhões no mundo, e esse número pode chegar a 642 milhões em 2040, segundo a Fundação Internacional de Diabetes (IDF).
1. Metade dos diabéticos não faz ideia de que tem a doença
A forma mais comum, o diabetes tipo 2, que responde por 90% dos casos, chega silenciosamente. Pode evoluir ao longo de 10, 15 anos sem sintomas. Por isso, metade dessas pessoas não imagina que suas taxas de açúcar no sangue estejam altas. Já o tipo 1, que se manifesta mais na infância, provoca perda de peso, sede excessiva e maior frequência urinária.
2. A obesidade é a principal vilã
A maior responsável pela escalada do diabetes no mundo é a obesidade. "No Brasil, o alto consumo de gordura saturada e alimentos açucarados, aliado ao sedentarismo, está levando a um considerável aumento de peso da população", diz Bianca de Almeida Pettito, coordenadora do Departamento de Epidemiologia da Sociedade Brasileira de Diabetes. O sobrepeso, especialmente quando a gordura está na região do abdome, já é capaz de atrapalhar a ação da insulina.
3. Há mais casos diagnosticados em mulheres
Dos 18 aos 45 anos, o diabetes é mais comum no sexo feminino. Segundo pesquisa do Ministério da Saúde realizada em 2015, 7,8% das mulheres apresentam a doença ante 6,9% dos homens. Mas isso não significa que elas sejam mais vulneráveis, apenas são mais diagnosticadas.
4. O diabetes gestacional prejudica mãe e bebê
Durante a gravidez, a placenta libera hormônios que dificultam a ação da insulina, estimulando o pâncreas a elevar sua produção. O organismo de cerca de 7% das gestantes não consegue responder bem à demanda. As mais vulneráveis são as gestantes com mais de 35 anos que engordam muito ou têm histórico familiar. No futuro, até 50% delas podem desenvolver diabetes tipo 2.
5. Doenças cardiovasculares são a maior preocupação
A exposição prolongada a altos níveis de glicose pode gerar complicações graves. "De cada dois diabéticos, um morre em decorrência de obstruções nas artérias", adverte o cardiologista José Francisco Kerr Saraiva, da PUC de Campinas.
6. Não basta cortar doces
Qualquer fonte de carboidratos altera os níveis de glicose. Por isso, eles devem ser consumidos com moderação. O cerco é maior aos refinados, como massas e pães brancos. Alimentos ricos em fibras, como cereais integrais, liberam a glicose mais lentamente, favorecendo o controle da glicemia.
7. É possível evitar a doença depois dos primeiros indícios
A pré-diabetes é um sinal amarelo que avisa sobre alterações no nível de glicose no sangue e é a única etapa em que a doença pode ser revertida. "Dieta balanceada e atividade física são capazes de mudar a evolução de 60% dos casos", avisa Bianca Pettito. Para o diagnóstico precoce, faça testes de glicemia a partir dos 25 anos e fique ainda mais atenta se houver casos de diabetes ou obesidade na família.