Em outra pesquisa, cientistas criaram um teste capaz de calcular e prever a probabilidade, em anos, de uma pessoa desenvolver Alzheimer.
Embora as causas do Alzheimer ainda sejam desconhecidas, a cada dia os cientistas descobrem mais fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida associados à doença. A mais recente revelação nesse campo sugere que a presença de gordura insaturada no cérebro está associada à demência. Uma pesquisa publicada no periódico científico PLOS Medicine sugere que seis tipos de ácidos graxos insaturados encontrados em duas áreas cerebrais (giro frontal médio e giro temporal inferior) estão associados ao Alzheimer.
"Este trabalho sugere que a desregulação do metabolismo pela gordura insaturada desempenha um papel na condução do Alzheimer", explicou Cristina Legido-Quigley, uma das líeres do estudo.
Pesquisadores da Universidade King's College de Londres, no Reino Unido, e do Instituto Nacional de Envelhecimento, nos Estados Unidos, analisaram como os compostos organicos gerados por reações do metabolismo dos ácidos graxos insaturados no cérebro de idosos saudáveis se comportavam e afetavam as suas habilidades cognitivas. Os dados de cada participante foram avaliados antes e depois de seus óbitos.
Os resultados mostraram que seis ácidos graxos insaturados encontrados no giro frontal médio e giro temporal inferior do cérebro estavam relacionados à doença: ácido docosa-hexaenoico, ácido linoleico, ácido araquidonico, ácido linolenico, ácido eicosapentaenoico e ácido oleico.
Apesar dos resultados, como esse foi apenas um estudo observacional, não é possível explicar a causalidade nem estabelecer se a desregulação dos níveis de gorduras insaturadas causa o Alzheimer ou o contrário.
Com que idade a doença pode aparecer?
Em outra pesquisa, realizada na Universidade da Califórnia, cientistas criaram um teste, baseado em 31 marcadores genéticos, capaz de calcular e prever em anos a probabilidade de um indivíduo desenvolver Alzheimer. Segundo o estudo, uma pontuação elevada no teste pode prever um diagnóstico muitos anos antes do que aqueles com um perfil genético de baixo risco.
O teste de pontuação de risco poligenico foi desenvolvido usando dados genéticos de mais de 70.000 indivíduos. Em pessoas com alto risco do gene ApoE, aqueles classificados entre os 10% com mais alto risco no novo teste tiveram Alzheimer em uma idade média de 84 anos, em comparação com 95 anos para aqueles classificados na porcentagem de menor risco.