A doença reumática pode atingir outras partes do corpo e ameaçar sobretudo o coração. Mas o diagnóstico precoce e novos remédios evitam essas retaliações.
Caminhar, subir escadas, virar páginas de uma revista. Nenhuma dessas atividades simples seria possível sem o complexo de dobradiças, roldanas e cabos que conecta um osso a outro. Esse maquinário todo compõe as articulações, as estruturas que permitem a movimentação de dedos, joelhos e tornozelos.
Porém, em algumas pessoas, as juntas começam cedo a passar por maus bocados. Sem razão aparente, o próprio sistema imunológico produz substâncias capazes de danificar essas peças. É a artrite reumatoide, condição que afeta cerca de 2 milhões de brasileiros, a maioria mulheres entre 30 e 50 anos.
"A liberação excessiva de moléculas inflamatórias desencadeia uma agressão à membrana sinovial, camada que reveste a articulação", descreve o reumatologista Diogo Domiciano, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Aí, é como se as articulações fossem corroídas aos poucos. Se nada for feito, a destruição alcança até os ossos. Os primeiros sintomas são dor, inchaço e rigidez.
Mas não pense que a artrite reumatoide afeta só as juntas. O coração é um dos principais alvos desse golpe. Sim, até esse músculo está sujeito a sofrer com esse problema. Pra início de conversa, a artrite promove alterações nos níveis de colesterol, e isso favorece o surgimento das famigeradas placas de gordura na parede das artérias.
Outro temor está no uso indiscriminado de anti-inflamatórios para aliviar a dor e o inchaço típicos da doença reumatoide. Tomar esses comprimidos sem o aval do especialista pode desembocar em hipertensão e diabete, duas condições intimamente ligadas a perrengues nas artérias.
"A artrite está relacionada a boca e olhos secos, além de inflamação nos pulmões e nos nervos", enumera Emilia Sato, professora titular de reumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O que chama atenção é o pouco conhecimento sobre o tema. Numa leva de estudos conduzida com o apoio da farmacêutica Pfizer, 76% dos participantes não sabiam nada da artrite reumatoide antes de serem diagnosticados com a doença.
Apesar de ainda não existir uma cura, os remédios disponíveis hoje são capazes de mantê-la sob rédea curta e permitem uma vida praticamente normal. O exercício físico é outro aliado no controle. "O exercício estimula a liberação de hormonios, como o cortisol, que também tem ação anti-inflamatória", ensina Francisco Navarro, da Universidade Federal do Maranhão.