Além de ajudar a prevenir encrencas lá na frente, os exercícios deixam nossos neuronios mais capacitados para responder aos desafios do dia a dia.
"As revisões científicas apontam que a prática diminui o risco de comprometimento cognitivo leve em 35% e o de Alzheimer em 51%", contextualiza Andrea Camaz Deslandes, profissional de educação física e coordenadora do Laboratório de Neurociência do Exercício da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. "Hoje sabemos que a atividade física aprimora também o funcionamento de um cérebro considerado saudável", arremata.
Em uma análise de oito estudos com voluntários acima de 40 anos, pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, concluíram que o fato de a pessoa não gastar o dia inteiro sentada já está associado a uma melhor performance em testes cognitivos e a uma probabilidade reduzida de demencia.
"Com base no achado, sugerimos que todos os adultos deveriam evitar o excesso de comportamentos sedentários", afirma a neurocientista Teresa Liu-Ambrose. Singelas medidas bombariam as nossas faculdades mentais: levantar-se da cadeira a cada 30 minutos, valorizar atividades leves como subir escadas e cumprir tarefas em pé ou andando.
Tanto modalidades aeróbicas (caminhada, bicicleta) quanto a musculação conferem destreza à cabeça. Apesar de as primeiras parecerem ligeiramente mais eficazes, a combinação das duas trouxe melhores resultados.
Benefícios em todas as idades
Em 2003, a educadora física Hanna Karen Moreira Antunes, hoje coordenadora do Curso de Educação Física da Universidade Federal de São Paulo, avaliou o desempenho cognitivo de vários adolescentes. "Os que se exercitavam bastante no ambiente escolar alcançavam as maiores pontuações", lembra. Mais recentemente, Andrea Deslandes verificou o impacto de aulas de capoeira na performance de crianças de 6 a 12 anos, revelando que o contato com essa arte marcial contribuiu para notas mais altas na escola.
Em Caeté, no interior de Minas Gerais, pesquisadores da UFMG registraram ao longo do tempo o estilo de vida e a saúde mental de 639 idosos. Senhores que envelheciam especialmente bem, com memória comparável à de pessoas duas décadas mais jovens, tendiam a fazer mais atividade física do que os outros.
Por dentro do cérebro malhado
As aulas de ginástica fazem aumentar a quantidade de células nervosas no cérebro, atesta Sonia Brucki, neurologista da USP. Essas unidades passam a receber um aporte sanguíneo extra e ganham ramificações. O sedentarismo é o terceiro maior fator de risco passível de intervenção para demencias, atrás apenas do nível educacional baixo e do tabagismo.
Treino para os neuronios
Mexer o corpo eleva a produção do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), que promove a multiplicação de neuronios e a ramificação dos axonios. Outra substância produzida em maior escala, o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), fomenta a criação de vasos na cabeça, abastecendo as células nervosas com sangue suficiente para atuarem a pleno vapor.
Habilidades aprimoradas
Controle inibitório: capacidade de segurar ímpetos irracionais e ignorar estímulos irrelevantes. Flexibilidade cognitiva: capacidade de se adaptar e resolver desafios. Memória: reforça a memória de trabalho, ajudando a armazenar lembranças de curto e longo prazo.