Se esse problema atormenta a sua vida, aposte as suas fichas na atividade física. Nós contamos de que forma a malhação alivia as cólicas e até faz regredir o tecido do útero que cresceu fora de lugar.
Durante dez longos anos, a professora universitária paulistana Luciana Zaterka sofreu horrores. "Desde os 20, eu tinha cólicas terríveis no primeiro dia da menstruação, acompanhadas de enjôos e calafrios. Às vezes, chegava a desmaiar", lembra-se. Só depois de uma década de dores que se manifestavam assiduamente todos os meses veio o diagnóstico: endometriose.
O que é endometriose? Em resumo, é a presença de endométrio, que é o tecido interno do útero, fora desse órgão. Em vez de limitar-se a revestir a cavidade uterina e prepará-la para receber um embrião, algumas células escapam e vão passear em outros órgãos. Lá, formam focos intrusos que agem como se ainda estivessem no útero. Sangram na época da menstruação, provocam cólicas, sem contar inflamação, desconforto durante o sexo, alterações urinárias ou intestinais e até mesmo infertilidade. "Geralmente, os alvos são os ovários, o intestino, a bexiga, as trompas e o peritonânio", explica o ginecologista Alexandre Pupo, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Com a autoridade de quem conduziu o tratamento, a ginecologista Rosa Neme, do Centro de Endometriose São Paulo, reforça: "A atividade física ajuda tanto a prevenir como a tratar o mal". A afirmação tem respaldo de dezenas de estudos. Um deles foi realizado por pesquisadores da Universidade Harvard, com 4.062 mulheres. As voluntárias que relataram ser ativas desde jovens apresentaram uma tendência menor de desenvolver a doença.
Para entender como o exercício combate a endometriose, é preciso conhecer primeiro as hipóteses sobre as suas causas. "Uma delas leva a entender que esse é o mal da mulher moderna", decreta o ginecologista Maurício Abrão, da Sociedade Brasileira de Endometriose. "Hoje em dia, ela demora para ter filhos, portanto menstrua mais vezes."
"A prática de atividade física aeróbica regular libera endorfinas, que têm efeito vasodilatador e analgésico", explica a ginecologista Vivian do Amaral, do Ambulatório de Endometriose e Infertilidade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, no Paraná. "Esses neurotransmissores espantam o estresse e, o que é ainda melhor, reduzem os níveis de estrogênio, hormonio feminino envolvido na história."
Exercício sob medida
"Escolha uma modalidade que lhe dê prazer." Esse é o conselho número 1 do fisiologista Paulo Zogaib, da Universidade Federal de São Paulo. O único pré-requisito é que ela seja aeróbica. Vale caminhar, correr, nadar, pedalar. A intensidade deve ser moderada, com duração mínima de 30 minutos a uma hora, e frequência de quatro ou cinco vezes por semana.
Outras boas opções
Modalidades mais light, que trabalham a respiração, também previnem e tratam a endometriose. "O pilates e a ioga melhoram a flexibilidade da pelve", afirma Vivian do Amaral. "Daí há um maior aporte de sangue na região e, consequentemente, o alívio da dor."
Como o exercício aeróbico age no corpo da mulher com endometriose
1. A atividade aeróbica estimula a hipófise, que passa a secretar endorfina. Ela inibe a secreção do hormonio FSH.
2. Menos FSH significa doses menores em circulação do hormonio que serve de combustível para o endométrio se desenvolver. O crescimento do tecido intruso é desacelerado.
3. No sangue, a endorfina neutraliza a adrenalina e o cortisol, substâncias liberadas pelo estresse. As células de defesa passam a atuar com maior eficiência no combate ao endométrio invasor.