A cada mil adolescentes brasileiras entre 15 e 19 anos, 68,4 ficaram grávidas e tiveram seus bebês, diz relatório da Organização Mundial da Saúde.
O Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos, diz relatório da Organização Mundial da Saúde.
O índice brasileiro está acima da média latino-americana, estimada em 65,5. No mundo, a média é de 46 nascimentos a cada mil. Em países como os Estados Unidos, o índice é de 22,3 nascimentos a cada mil adolescentes de 15 a 19 anos.
O relatório da OMS foi divulgado e as taxas se referem ao último período analisado: entre 2010 e 2015. Um outro ponto divulgado pela entidade é que a América Latina é a única região do mundo com uma tendência crescente de gravidez entre adolescentes menores de 15 anos.
"A gravidez na adolescência pode ter um efeito profundo na saúde das meninas durante a vida", disse Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).
"Não apenas cria obstáculos para seu desenvolvimento psicossocial, como se associa a resultados deficientes na saúde e a um maior risco de morte materna. Além disso, seus filhos têm mais risco de ter uma saúde mais frágil e cair na pobreza", continua Carissa.
Também o documento indica que, apesar de a fecundidade total na América Latina ter diminuído nos últimos 30 anos, o mesmo ritmo não foi observado nas gestações de adolescentes. A taxa total de fecundidade na América Latina e no Caribe caiu de 3,95 nascimentos por mulher no período de 1980-1985 para 2,15 nascimentos por mulher em 2010-2015.
Comparativo entre os países
A taxa de adolescentes grávidas no Brasil teve diminuição nos últimos dez anos, mas ainda está aquém da taxa de outros países na América Latina, como o Chile e Argentina.
Taxa de nascimentos a cada mil adolescentes entre 15 e 19 anos (período 2010-2015): Brasil 68,4; Chile 49,3; Argentina 64; Estados Unidos 22,3; México 66; Canadá 11,3; Venezuela 80,9; Bolívia 72,6.
Principal causa de morte
Segundo o relatório, a mortalidade materna é uma das principais causas da morte entre adolescentes e jovens de 15 a 24 anos na região das Américas. Globalmente, o risco de morte materna se duplica entre mães com menos de 15 anos em países de baixa e média renda.
Recomendações para diminuição de casos
A entidade exorta que os países com taxas altas apoiem programas dirigidos para mulheres em maior vulnerabilidade para gestações precoces. Também há a recomendação para que se expanda o acesso a métodos anticoncepcionais e que sejam iniciados programas de educação sexual para homens e mulheres.
O relatório sugere ainda que se promovam medidas e normas que proíbam o casamento infantil e as uniões precoces antes dos 18 anos.
"Muitas dessas gestações não são uma escolha deliberada, mas a causa, por exemplo, de uma relação de abuso", disse Esteban Caballero, diretor regional do Fundo de População das Nações Unidas para América Latina e Caribe.