Uma pesquisa divulgada no fim do ano passado causou polêmica ao afirmar que a "má sorte" é um dos fatores que mais causam câncer, mais até do que riscos conhecidos, como o hábito de fumar.
Desde então, houve uma onda de críticas ao estudo americano, conduzido por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins e da Escola de Saúde Pública Bloomberg.
A doença ocorre quando células em uma parte específica do corpo começam a sofrer mutações e se reproduzirem incontrolavelmente. As células cancerígenas podem invadir e destruir tecidos.
Fatores ambientais
Os pesquisadores da Johns Hopkins afirmaram ter encontrado uma correlação entre o número de divisão celular que ocorre em um determinado tecido e a probabilidade dele se tornar cancerígeno.
Eles analisaram 31 tipos de tecido. "Alguns eram bastante estáveis, como o muscular e o cerebral, que não se dividem quando param de se desenvolver", disse P Z Meyers, biólogo da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos. "Então, eles têm uma baixa probabilidade de desenvolverem um câncer, enquanto o revestimento epitelial do intestino está constantemente se regenerando. E essas células têm uma maior probabilidade de se tornarem cancerígenas."
Se você fuma, você aumenta em muito a chance de ter câncer de pulmão. Outros fatores comportamentais e ambientais são conhecidos por causar esse e outros tipos de câncer. Mas algumas pessoas que não fumam também desenvolvem câncer.
Os pesquisadores dizem que calcularam esse porcentual e chegaram à conclusão de que dois terços (65%) "das diferenças em risco de se desenvolver câncer em diferentes tecidos" se deve à divisões celulares que deram errado, ou seja, "azar".
Muitos veículos concluíram que isso significava que dois terços dos casos de câncer eram resultado de uma divisão celular desordenada. Não era isso que a pesquisa dizia.
Críticas de todos os lados
"A importância do estudo é que ele diz, sim, que se você tem câncer, você não devia se culpar por isso. E acho que isso é algo que as pessoas que têm câncer gostariam de ouvir."