Ao contrário do cenário de países desenvolvidos, atualmente na América Latina, mais homens morrem por câncer de próstata do que no passado.
A América Latina é composta por 600 milhões de pessoas, o que representa 10% da população mundial. Em termos de estatísticas oncológicas, a incidência de novos casos de câncer na América Latina é de 1,1 milhão por ano, representando 7,8% de todos os casos de câncer do mundo. Um total de 600.000 mortes secundárias ao câncer ocorrem, por ano, nesta região.
O câncer de próstata representa o tumor maligno mais comum entre homens em 30 dos 31 países da América Latina. Em termos de causas de morte, é a mais frequente entre 25 dos 31 países da região. Diferente dos países desenvolvidos, como Estados Unidos, Canadá, França e Alemanha, onde a mortalidade por câncer vem diminuindo nos últimos anos devido a maiores taxas de diagnóstico precoce, em países como o Brasil e Cuba morrem-se, atualmente, mais homens por câncer de próstata do que no passado.
Em 2012, um total de 134.000 casos foram diagnosticados e um total de 43.000 homens morreram em decorrência da doença. Em 2030, estima-se que um total de 249.000 casos serão diagnosticados e 86.000 homens morrerão em decorrência do tumor.
Os riscos de morte por câncer de próstata são inversamente proporcionais ao poder sócio-economico da população ou daquele indivíduo. Países que vivem na pobreza, como Haiti, Honduras, Bolívia e Nicarágua, detêm as maiores taxas de mortalidade.
Limitações de acesso aos médicos, falta de programas de informação e campanhas, pouca divulgação sobre exames de rastreamento e vacinas, limitações na infraestrutura para o diagnóstico e tratamento, e falta de educação médica continuada levam a disparidades imensas nos resultados de cura ou de controle da doença entre os diversos países da América Latina.
Como exemplo, uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia revelou que homens negros têm uma chance 60% e 30% maior de apresentar-se ao diagnóstico com doença localmente avançada e metastática, respectivamente, comparado aos indivíduos caucasianos.
Existem muitas razões para estatísticas tão preocupantes, porém muita oportunidade de melhora, caso sejam feitas políticas públicas mais efetivas, suporte à pesquisa e facilitação para sua realização, desenvolvimento de diretrizes adaptadas para a região, e redução dos custos de medicamentos e tecnologia de alta complexidade para a rede pública.