Pesquisa da Proteste que analisou a qualidade de 10 marcas mostrou que metade apresentou fator de proteção inferior à indicada na embalagem.
Em teste de qualidade realizado pela Proteste, cinco marcas de protetor solar para o rosto apresentaram fator de proteção inferior ao indicado na embalagem. Dos dez produtos testados, um também apresentou menor proteção contra raios UVA do que prevê a legislação. A Proteste solicitou uma fiscalização mais adequada dos produtos e pediu aos fabricantes que corrijam a informação nos rótulos.
Das dez marcas testadas, cinco não apresentaram o fator de proteção solar (FPS) que consta no rótulo. A metodologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permite uma variação de até 17% em relação ao que é informado na embalagem e a formulação do produto, mas nessas cinco marcas, a diferença de percentual foi superior à permitida.
Também foi avaliada a proteção UVA dos produtos. Desde 2012 a legislação brasileira determina que, nos filtros solares, a proteção UVA deve ser um terço do FPS. Ou seja, um protetor com FPS 60 precisa ter proteção UVA igual a 20, no mínimo.
Os raios UVA atingem as camadas mais profundas da pele e são os principais responsáveis pelo envelhecimento precoce, bronzeamento, além de também contribuírem para o câncer de pele. Já o FPS avalia a capacidade de os produtos filtrarem a radiação do tipo UVB, que atinge a camada mais superficial da pele, podendo causar vermelhidão, queimaduras e câncer de pele.
O valor de FPS consiste na razão entre o tempo de exposição à radiação ultravioleta necessário para produzir vermelhidão na pele protegida pelo protetor solar e o tempo, para o mesmo efeito, com a pele desprotegida. Quando se usa um filtro solar com FPS 30, por exemplo, a mesma pele leva 30 vezes mais tempo para ficar vermelha.
Posicionamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia
A Sociedade Brasileira de Dermatologia esclarece que os resultados mostrados pela Proteste devem ser analisados com muita cautela. A metodologia utilizada para realização de testes com protetores solares deve ter rigorosa comprovação científica. Variações de métodos podem produzir resultados díspares, levando a conclusões equivocadas.
Do ponto de vista de saúde pública, o mais importante é que o usuário de protetores solares faça uso continuado e em quantidade adequada destes produtos, cujo objetivo principal é a prevenção do câncer da pele, que é o tipo de câncer mais comum na população brasileira.
Resposta dos fabricantes
L'Oréal, Johnson & Johnson e a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos refutaram os resultados, alegando desconhecimento do laboratório que realizou os testes e da metodologia específica empregada. As empresas reforçam que seus produtos são aprovados pela Anvisa.
O uso diário do protetor solar protege contra o envelhecimento precoce da pele, colabora para a prevenção de manchas e marcas de expressão causadas pela exposição excessiva ao sol, e problemas mais sérios como o câncer de pele, que corresponde a 30% dos tumores malignos registrados no Brasil.