Para especialista, brincar ao ar livre pode melhorar a saúde dos pequenos.
Pense rápido e responda: você leva seus filhos ao parque, à praça, a lugares em que ele brinque em meio a árvores e muito verde? Se sua resposta foi qualquer outra que não um "sim, sempre", pode ser que a falta de interação de seus pequenos com a natureza esteja impedindo-os de se desenvolver completamente, inclusive no que diz respeito à sua saúde.
Problemas de aprendizado, hiperatividade, falta de criatividade e até mesmo obesidade e depressão podem ser sintomas do Transtorno do Déficit da Natureza, termo criado pelo americano Richard Louv, autor do livro A Última Criança na Natureza, já traduzido para 15 idiomas.
Louv baseia-se, entre outros, no estudo da hipótese da biofilia, tese criada pelo entomologista da Universidade de Harvard Edward Osborne Wilson, que diz que o ser humano tem a tendência a se conectar à natureza, e que obedecê-la traria apenas benefícios ao organismo.
"As pessoas se preocupam apenas com as questões nutricionais na tentativa de acabar com a obesidade infantil, sendo que muitos estudos já mostram que apenas um pouco de contato com a natureza, que seja na forma de um passeio rápido todos os dias, já ajudaria a diminuir os índices desse problema consideravelmente", acredita Louv.
Dados da Federação Mundial de Obesidade mostram que o Brasil tem alguns dos piores índices em relação ao problema. Entre 1989 e 2009, o número de meninos com sobrepeso passou de 4,1% para 16,6%, enquanto entre as meninas o salto foi de 2,4% para 11,8%. Entre os brasileiros, a obesidade atinge 14,3% das crianças, totalizando 32% das meninas e 34,8% dos meninos.
São números alarmantes, e que, para Louv, seriam resultado também de uma infância solitária e passada, em sua maioria, dentro de ambientes fechados. "Nos Estados Unidos, os pais fazem de tudo pela educação dos filhos: pagam aulas de violino, aulas de futebol, mas não pensam sobre a natureza. É uma geração de pais de jovens que cresceu na frente do videogame, que passou a maior parte da vida no mundo virtual."
Em relação às escolas, Louv entende que o ideal é escolher para os filhos uma instituição que tenha ao menos um pequeno espaço verde em suas instalações, e que permita que os alunos desfrutem dele ao longo do dia. "Escolas assim costumam ter um melhor desempenho em testes de avaliação de mercado", completa o escritor. "E é preciso que definamos aqui o que significa natureza, para que não se pense que são necessários grandes espaços, parques imensos. Até mesmo um pequeno jardim, uma praça da comunidade em cidades grandes, com árvores que atraiam borboletas: isso já é suficiente."
Uma pesquisa recente realizada com 12 mil pais de crianças entre cinco e 12 anos apontou que as brincadeiras ao ar livre estão em declínio. No Brasil, 84% das crianças brincam ao ar livre por apenas duas horas ou menos diariamente, enquanto 40% têm uma hora ou menos para este tipo de atividade.