O que o diabetes tipo 1 e a artrite reumatoide têm em comum? Aparentemente, nada. Mas ambas têm uma origem em comum: um ataque do sistema imunológico contra uma estrutura do próprio organismo, ou seja, uma resposta autoimune.
Todo mundo aprende na escola que o sistema imunológico existe para combater ameaças externas, como vírus e bactérias. Ao visualizar esses agentes, produz anticorpos com o objetivo de atacá-los. Em alguns casos, no entanto, o general desse exército confunde células do próprio organismo com invasores.
De acordo com o Instituto Nacional de Saúde (NIH), dos EUA, mais de uma centena de doenças cronicas têm origem em uma resposta autoimune. Mas, apesar do processo em comum, cada doença autoimune tem suas próprias características, ritmo evolutivo e sintomas específicos. Por isso não existe um médico especialista em autoimunidade.
"Hoje sabe-se que existe até infertilidade causada por doença autoimune, ou seja, é algo que permeia toda a medicina", explica o reumatologista Luís Eduardo Coelho Andrade, professor da Universidade Federal de São Paulo. Algumas das doenças autoimunes mais conhecidas, como lúpus e artrite reumatoide, são tratadas por profissionais como ele.
Doenças autoimunes não são raras
Estima-se que as doenças autoimunes afetem de 5 a 8% da população geral, mas considerando cada doença autoimune especificamente, a frequência é bem menor, variando de 0,01 a 1%.
Tendência genética
Segundo os especialistas, existem variantes genéticas conhecidas que predispõem parte da população às doenças autoimunes. Mas ter a tendência não significa ter a enfermidade, é preciso que haja um fator ambiental que deflagre a doença. No caso da doença celíaca, o gatilho é bem conhecido: a alimentação. No caso da artrite reumatoide, o cigarro é um fator importante. Viroses, infecções em geral e até mesmo episódios de estresse psíquico também podem funcionar como deflagradores.
Mulheres são as principais vítimas
Aproximadamente 75% das pessoas que sofrem de doenças autoimunes são mulheres. No caso da tireoidite de Hashimoto, em que a glândula tireoide é atacada, a proporção chega a ser de dez para um. A justificativa mais aceitável para essa desigualdade é o fator hormonal: "O estrógeno é um estimulante da imunidade", explica o reumatologista da Unifesp.
Tratamento evoluiu bastante
O tratamento das doenças autoimunes varia de acordo com a enfermidade, mas o uso de corticoides é algo frequente. "Hoje há novos remédios que permitem um uso menor de corticoide", informa Andrade. E alguns medicamentos biológicos, derivados da biotecnologia, têm sido bastante eficazes no caso de certas doenças, como artrite reumatoide, psoríase e doença de Crohn.
Estresse e doença autoimune
Muitos pacientes contam que tiveram uma doença autoimune deflagrada depois de sofrer algum evento traumático. O médico avisa que o estresse pode influenciar o estado da doença. Por isso é importante que os pacientes diagnosticados busquem ter uma vida equilibrada, com atividade física, nutrição adequada e sono suficiente.