Prestar atenção às características da queixa ajudam a encontrar a solução do problema.
Segundo dados divulgados pela Academia Brasileira de Neurologia (ABN), mais de 80% dos brasileiros confessaram sofrer de algum tipo de dor de cabeça. E muito embora o estresse seja apontado como uma de suas principais causas, especialistas compilaram cerca de 150 a 300 causas identificadas que podem acarretar a condição.
De acordo com o Dr. Roberto Rached, fisiatra do Hospital das Clínicas, além do estresse, a hipoglicemia, disfunções de pressão e cardíacas também podem acarretar o seu aparecimento. "Temos uma prevalência tão grande da dor de cabeça porque ela é multifatorial, ou seja, uma série de fatores são responsáveis pelo seu surgimento", esclarece o médico.
Para a Dra. Alexandra Tavares Raffaini, médica assistente da equipe de Controle da Dor da Divisão de Anestesia do Icesp, existem mais de cem tipos diferentes de dor de cabeça: "É a segunda causa mais frequente de dores cronicas. Seu aparecimento pode estar relacionado a diversos fatores desencadeantes, como a má alimentação, distúrbios do sono, contrações musculares, neuropatia, artrose da coluna cervical, entre muitos outros."
Como classificar os tipos de dor de cabeça?
O Dr. Roberto acredita que separá-las antes mesmo de consultar um médico e fazer o diagnóstico das possíveis causas pode ser perigoso. O consumo desenfreado de analgésicos pela automedicação pode mascarar sintomas e aumentar as chances de aparecimento de doenças mais graves.
O especialista explica que a enxaqueca é uma dor muito forte e que pode não ter um fator desencadeante aparente, piorando significativamente com esforço físico. "Os pacientes relatam apresentar outros sintomas como a dificuldade com a claridade (fotofobia), cheiros muito fortes e sons muito altos." A dor da enxaqueca é mais unilateral, ou seja, dificilmente acomete toda a cabeça.
A dor do estresse comumente aparece na base do crânio, na região da musculatura do pescoço e da orelha. Também pode surgir na parte da frente, onde franzimos a testa.
Já a dor decorrente da hipertensão é bem menos comum. Quando um paciente sofre de hipertensão, é muito comum que as dores apareçam na base da nuca. "É uma dor com características irritativas, acompanhada, comumente, de turvações visuais, aumento da frequência cardíaca e cansaço súbito."
O perigo da automedicação com analgésicos
Somente 61% daqueles que relataram sofrer frequentemente de dores de cabeça revelaram procurar ajuda médica para iniciar o tratamento. "Quanto mais analgésicos tomamos para a dor de cabeça sem saber, ao certo, qual é a sua causa, não conseguimos alterar o seu ciclo, ou seja, não conseguimos melhorar e cada vez mais precisamos de mais medicamentos para controlar", revela.
O especialista também ressalta que outros órgãos podem ser prejudicados como o fígado e o rim devido ao uso de anti-inflamatórios, além do aumento da pressão arterial, frequência cardíaca, risco de arritmia e sangramentos intestinais. O uso indiscriminado desses remédios também pode mascarar problemas mais graves como tumores cerebrais e aneurismas.
Tratamento sem remédios
O especialista afirma que estímulos de alguns pontos específicos, como prega a medicina chinesa, podem ajudar. "Essa prática milenar é chamada de Do-In e age nos mesmos pontos musculares da acupuntura para o alívio da dor e das tensões." Há diversos pontos espalhados pelo corpo humano que são passíveis de estímulos.
Quando a dor de cabeça pode ser grave?
"Se é súbita e aparece relacionada a alguma alteração visual, caso apareça sem nenhum fator aparente ou decorrente de algum trauma, for prolongada, com queixas frequentes em mais de uma semana, já é recomendado procurar um neurologista para fazer o diagnóstico de exclusão de fatores graves", ressalta.
As duas condições mais graves que a dor de cabeça pode estar relacionada são aneurismas e tumores, por influenciarem drasticamente o fluxo sanguíneo na região do cérebro.