Com o envelhecimento da população, o câncer se tornou a principal causa de morte. Diferentes fatores podem levar à doença, mas todos alteram as células.
Diferentes fatores podem levar ao câncer, mas todos têm algo em comum: alteram o material genético das células, desregulando os mecanismos de divisão e morte celular. Estes fatores podem ser hereditários ou não, e entre estes últimos podemos incluir os fatores ambientais e os erros na divisão do DNA das células.
Câncer por hereditariedade
Em uma minoria dos casos (5% a 10%), o fator que altera o material genético levando à predisposição ao câncer já vem herdado do pai ou da mãe. São os casos hereditários, quando se herda uma tendência a desenvolver o câncer. Exemplos de predisposição hereditária considerável ocorrem em alguns casos de câncer de mama, ovário, intestino, pele, olhos, tireoide e rins.
Os principais sinais de alerta são: casos de câncer na família em idade mais precoce do que habitual; mais de um câncer primário em uma mesma pessoa; câncer em órgãos bilaterais (como nas duas mamas ou nos dois ovários); múltiplos parentes com o mesmo tipo de câncer; várias pessoas com cânceres diferentes do mesmo grupo (mama/ovário/próstata/pâncreas, ou estomago/intestino/útero/ovário); casos com malformações ao nascimento; ou pertencer a grupos étnicos com maior propensão.
Por exemplo, mulheres com mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2 têm risco de cerca de 70% de desenvolver câncer de mama, sete vezes maior do que na população feminina em geral. Ainda assim, 30% destas mulheres não desenvolvem a doença até os 70 anos.
Câncer por azar
Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins publicaram um trabalho na revista Science sugerindo que a maior parte dos casos de câncer (66%, podendo variar de 39% a 81%) seriam decorrentes de alterações genéticas não herdadas e não causadas por fatores ambientais. Seriam simplesmente decorrentes de erros no processo natural de divisão de células-tronco.
Quando uma célula vai se dividir, deve primeiro dobrar seu material genético para depois formar duas células-filhas geneticamente iguais. Porém, esta tarefa não é simples: copiar duas sequências de 3 bilhões de letras bioquímicas. Neste processo, erros (mutações) ocorrem, e são particularmente importantes quando ocorrem em células-tronco, pois estas se dividem muito.
Por exemplo, para o câncer de pâncreas, encontrou-se que 77% das mutações eram devidas a erros na divisão do DNA (azar), 18% devido a fatores ambientais e 5% hereditários. Já para os tumores de próstata, ossos e cérebro, mais de 95% das mutações ocorreram por azar. Para câncer de pulmão, 65% das mutações são devidas a fatores ambientais (como o cigarro) e 35% ao azar.
A falta de sorte pode ser combatida
A compreensão das maneiras pelas quais o câncer pode ocorrer é fundamental para desenvolver estratégias de redução do número de casos. As causas hereditárias podem ser reduzidas por acesso amplo ao Aconselhamento Genético. As causas ambientais conhecidas podem ser reduzidas por campanhas públicas de vacinação e esforços educacionais.
Campanhas contra o fumo diminuem cerca de 90% da incidência de adenocarcinoma do pulmão. Medidas semelhantes são urgentes para reduzir o consumo de álcool em excesso, aumentar os cuidados com a exposição solar, vacinar contra papiloma e hepatites C e B, não se expor a poluentes, reduzir a exposição hormonal e evitar a obesidade. Estas medidas reduziriam o número de casos de cânceres de pele tipo melanoma, câncer de colo de útero, mama, fígado, pulmão, boca, esôfago e laringe.