A recente aprovação de um imunoterápico com ação extremamente promissora para câncer de pulmão simboliza uma grande esperança no tratamento da doença.
Há alguns anos, os imunoterápicos, medicamentos que utilizam o próprio sistema imunológico do paciente para combater o câncer, têm sido os grandes protagonistas dos congressos médicos sobre o assunto e a grande aposta de médicos e pesquisadores. Essa semana, houve outra grande vitória no avanço de tratamentos contra a doença.
Na segunda-feira, a Food and Drug Administration (FDA), agência americana que regula fármacos, aprovou uma nova droga para o tratamento de câncer de pulmão. Trata-se do pembrolizumabe, medicamento indicado como primeira linha de tratamento para pacientes com tumores pulmonares em estágio de metástase.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima-se que entre 2016 e 2017 haverá 28.190 novos casos de câncer de pulmão no país. Estudos com pembrolizumabe mostraram que o composto reduziu pela metade o risco de progressão da doença e em 40% o risco de morte.
"São resultados que representam uma quebra de paradigma", diz o oncologista Artur Katz, chefe do serviço de oncologia clínica do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.
O medicamento age bloqueando a PD-1, proteína presente nas células de defesa do corpo humano, os linfócitos T, mas que, em pessoas com câncer, permite que o tumor se esconda do sistema imunológico. Ao bloquear a PD-1, o medicamento faz com que os linfócitos-T ataquem o câncer.
Para Philip Greenberg, chefe de imunologia do Centro de Pesquisa de Câncer Fred Hutchinson em Seattle, a imunoterapia já é o quarto pilar do tratamento anticancer, ao lado da radioterapia, quimioterapia e cirurgia.
Surgimento da imunoterapia
O conceito da imunoterapia surgiu em 1890, quando o médico William Coley dedicou sua carreira à investigação do câncer após a morte de uma jovem paciente. Hoje, ele é conhecido como pai da imunoterapia do câncer. Coley percebeu que infecções em pacientes com câncer foram associadas com a regressão da doença, e essa observação levou à hipótese da vigilância imunológica, amplamente aceita apenas no início dos anos 2000.
Em 2010, a FDA aprovou a primeira vacina para o tratamento do câncer, chamada sipuleucel-T ou Provenge, para câncer de próstata. Outros tipos de terapia aprovada são os chamados inibidores de checkpoint. Além do Keytruda, já estão aprovadas o nivolumabe (Opdivo), Tecentriq e Yervoy para diferentes tipos de câncer.
Desafios da imunoterapia
Alguns dos principais desafios da imunoterapia são o preço elevado e os terríveis efeitos colaterais. Estimular o sistema imunológico pode causar reações cutâneas, sintomas semelhantes aos da gripe, palpitações cardíacas, diarreia, infecções e até artrite. Outro desafio está em entender por que pacientes podem ter diferentes respostas à tratamentos imunoterápicos.