Grupo pede atenção com zika no Rio, mas não recomenda cancelar evento. Peregrinação a Meca também é desafio para frear pandemia, diz sanitarista.
Um grupo internacional de especialistas em saúde pública afirma que a Olimpíada do Rio de Janeiro requer medidas especiais, como uma força-tarefa global para produzir e distribuir repelente antimosquito, mas não menciona o cancelamento do evento como medida necessária.
Em artigo na revista médica The Lancet, uma das mais prestigiadas do mundo na área, os sanitaristas sugerem também um esquema especial para educar turistas sobre o Aedes aegypti e promover medidas de proteção.
Na visão do grupo, que inclui especialistas dos EUA, China, Arábia Saudita e Peru, não só trabalhadores do setor de saúde deverão se envolver. Agentes de viagem, funcionários de empresas aéreas e até líderes de equipes esportivas devem receber treinamento para passar informação correta a turistas e atletas.
"Métodos para prevenção de picada de mosquito poderiam ser fornecidos a cada viajante no portão de desembarque antes do controle de imigração", escrevem os pesquisadores. "Como o Brasil está enfrentando a diminuição nos estoques de repelentes de insetos, esforços globais serão necessários para adquiri-los e distribuí-los em quantidade adequada."
O grupo que assina o artigo é liderado pelo saudita Habida Elachola, que trabalha nos esforços para conter a disseminação de epidemias durante o Hajj, a peregrinação anual de muçulmanos a Meca. Segundo ele, o evento religioso será o segundo maior desafio do ano para conter o espalhamento do zika, depois das Olimpíadas.
Conexão Rio-Meca
O fato de os Jogos Olímpicos serem realizados durante o inverno é considerado um alento, mas não uma garantia de que o Rio, com previsão de receber 1 milhão de estrangeiros, não será um exportador de casos.
"Apesar de as temperaturas do inverno significarem que a densidade populacional do mosquito deve ser baixa no Brasil na época das Olimpíadas, dada a densidade de mosquitos no verão do hemisfério Norte, a introdução de poucas infecções à população de mosquitos pode ser suficiente para causar surtos do vírus em outros países", afirma.
As peregrinações muçulmanas devem levar 7 milhões de pessoas à Arábia Saudita, dos quais 7.000 seriam provenientes da América Latina, onde o vírus da zika já se instalou. Segundo os pesquisadores, não há motivo para pânico nem no Rio nem em Meca, e experiências anteriores mostram que é possível manejar a situação.