Portaria pede que ambos fiquem no mesmo alojamento conjunto. Diretriz se baseia no Estatuto da Criança e do Adolescente e na OMS.
O Ministério da Saúde publicou uma portaria nesta segunda-feira, no Diário Oficial da União, que recomenda que mãe e bebê não sejam separados por pelo menos 24h após o parto e sejam mantidos em alojamento conjunto.
O órgão institui uma diretriz "para a organização da atenção integral e humanizada à mulher e ao recém-nascido". De acordo com o ministério, a prática é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A portaria cita uma publicação da organização chamada "Razões médicas aceitáveis para uso de substitutos do leite materno" e também o Estatuto da Criança e do Adolescente. A presença do pai sem restrição de horário ou do genitor sócio-afetivo também deverá ser estimulada.
O alojamento conjunto é o local para onde mãe e bebê são direcionados após o parto e devem permanecer juntos até a alta. Em alguns casos isso não é possível, como quando a criança precisa ser levada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) neonatal. No local, devem estar profissionais de enfermagem, pediatria e obstetrícia.
"É uma boa hora para essa recomendação e reconhecimento de que a presença do bebê juntamente com a mãe é extremamente importante", diz o ginecologista e obstetra Alberto Guimarães, mestre pela Unifesp e coordenador do Programa Parto Seguro.
O texto publicado no Diário Oficial diz que a prática é positiva por uma série de motivos: fortalece o vínculo afetivo entre pai, mãe e filho, favorece o estabelecimento do aleitamento, diminui o risco de infecção relacionada à assistência em serviços de saúde.
De acordo com Guimarães, nem todos os hospitais praticam o alojamento conjunto, e manter o bebê no mesmo ambiente ajudará a manter a atenção na saúde da mãe. "Além disso, o bebê junto com a mãe terá mais chance de receber amamentação. Esse estímulo libera ocitocina, que tem um efeito muito importante na contração uterina para diminuir o sangramento. É uma proteção para a dupla: mãe e bebê", explica o obstetra.