O método, considerado experimental, é também a única alternativa para meninas que ainda não entraram na puberdade.
Mulheres que vão se submeter a tratamentos que afetam a fertilidade, como a quimioterapia, agora têm um novo recurso para ter filhos: o congelamento ou criopreservação do tecido ovariano.
Ainda considerada experimental, a técnica consiste em retirar um pedaço ou até metade do ovário por meio de uma videolaparoscopia. Em seguida, o tecido é congelado em fragmentos de 1 centímetro, em nitrogênio líquido, à temperatura de -196º C. O ovário pode permanecer congelado por tempo indeterminado, já que o tecido não envelhece.
Após a liberação do oncologista, a paciente pode realizar o reimplante do tecido ovariano, caso o órgão remanescente tenha sido danificado durante o tratamento, o que ocorre na maioria dos casos. O tecido é reimplantado por meio de uma nova videolaparoscopia. Espera-se que entre dois e três meses após a cirurgia o órgão retome suas funções hormonais e a paciente possa engravidar de forma natural ou por fertilização in vitro (FIV).
Os especialistas ressaltam que a opção do reimplante é importante mesmo para mulheres que não querem engravidar, já que o ovário desempenha uma importante função endócrina.
Congelamento de óvulos versus tecido ovariano
Em comparação com o congelamento de óvulos ou de embriões, técnicas já estabelecidas há mais de uma década, a criopreservação do ovário é mais complexa. Entretanto, em alguns casos, ela é a única esperança para mulheres que desejam engravidar.
"A grande inovação desta técnica é que ela dispensa tratamento prévio e o tempo necessário para o congelamento de óvulos. Além disso, é a única esperança de meninas pré-púberes tentarem manter a fertilidade", explica Maurício Chehin, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.
Edson Borges, diretor clínico do Centro de Fertilização Assistida Fertility, em São Paulo, complementa: "Meninas que ainda não entraram na puberdade não podem fazer congelamento de óvulos, simplesmente porque elas não têm óvulos. Nesses casos, a criopreservação do tecido é a única opção para elas tentarem engravidar no futuro."
Pesquisas
Os primeiros relatos científicos sobre congelamento de tecido ovariano datam do final dos anos 1990, mas o primeiro transplante bem sucedido e que resultou em gravidez ocorreu na Bélgica, em 2003. Desde então, ocorreram cerca de 60 nascimentos de bebês a partir dessa técnica ao redor do mundo, sendo Dinamarca e Bélgica os países que mais se destacam na prática.
Um estudo publicado no periódico científico Human Reproduction, em outubro de 2015, mostrou que o congelamento ovariano é seguro e bem sucedido. Os pesquisadores da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, analisaram 41 mulheres que realizaram o procedimento devido a um câncer e tiveram o ovário reimplantado após estarem curadas. Todas tiveram a função ovariana reestabelecida após o implante. Das 32 que decidiram engravidar, 14 conseguiram chegar até o fim da gestação e dar à luz crianças saudáveis, sendo oito de forma natural e seis por meio de fertilização in vitro.