Não é novidade que a obesidade é um fator de risco para o diabetes, mas agora uma nova pesquisa revelou o mecanismo dessa associação.
Que a obesidade é o principal fator de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2 é fato estabelecido há várias décadas. A epidemia global em curso de diabetes é consequência direta do aumento da prevalência de obesidade, observada na maioria dos países a partir dos anos 60.
A associação entre obesidade e diabetes
Quando uma pessoa engorda, o seu tecido adiposo aumenta. Essa expansão do tecido adiposo requer um aumento correspondente da rede vascular para supri-lo de oxigênio e nutrientes. Ocorre que se o aumento do tecido adiposo for proporcionalmente maior do que a rede vascular, as células do tecido adiposo passam a ser submetidas a um ambiente de relativa escassez de oxigênio (hipóxia).
Nesta condição, secretam substâncias que atraem um tipo de glóbulos brancos, os macrófagos, que passam a infiltrar o tecido adiposo. Os macrófagos infiltrados são ativados e passam a secretar várias substâncias (citocinas). Algumas, como o TNF alfa, têm a propriedade de diminuir o efeito da insulina, o hormonio que controla o nível de açúcar.
O papel da insulina
Quem desenvolve obesidade tem agora que produzir muito mais insulina para superar o efeito inibidor das substâncias produzidas pelos macrófagos. Baseados neste conhecimento, pesquisadores desenvolveram estratégias para inibir o efeito do TNF alfa.
A nova pesquisa
Após dez anos de pesquisas, cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego parecem ter encontrado uma resposta. Desde o final da década de 90 sabe-se que as células podem comunicar-se através dos exosomas, partículas constituídas por uma membrana que envelopam diversos tipos de informação genética. Através dos exosomas, uma célula pode modificar o funcionamento de outra célula à distância.
Os pesquisadores demonstraram que exosomas provenientes de macrófagos existentes no tecido adiposo de animais obesos, com resistência à insulina, eram capazes de inibir o efeito da insulina quando colocados em cultura de células musculares ou de fígado. Além disso, a injeção destes exosomas em animais normais era capaz de provocar resistência à insulina.
De modo reverso, a injeção nos animais obesos de exosomas provenientes de macrófagos de animais normais atenuava a resistência à insulina. Os pesquisadores verificaram que o miRNA-155 estava aumentado em três vezes no exosoma dos animais obesos em relação aos animais magros e que este RNA era capaz de produzir resistência à insulina.
Possível tratamento
Um dos medicamentos utilizados no tratamento do diabetes, a pioglitazona, tem a propriedade de estimular a expressão do gene PPAR gama. Deste modo, teria efeito contrário ao do miRNA-155 e portanto seria a medicação específica para atenuar o efeito de aumento da resistência à insulina associado à obesidade.
Certamente o conhecimento dos mecanismos que vinculam a obesidade ao diabetes é relevante em um mundo que em 2020 abrigará 1 bilhão de habitantes com sobrepeso ou obesidade e 643 milhões de portadores de diabetes. Este conhecimento é pré-requisito para o desenvolvimento de tratamentos capazes de evitar que os obesos se tornem diabéticos.