Com a campanha Outubro Rosa, é o momento dos profissionais de saúde refletirem sobre o rastreamento do segundo tipo de tumor mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres, excluindo-se o câncer de pele.
O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 25% dos casos novos a cada ano. O câncer de mama também pode acometer homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença. Para 2016, o INCA estima 57.960 novos casos.
"Campanhas como a do Outubro Rosa têm a função de conscientizar as pessoas sobre a importância de uma determinada doença. Atividade física regular e alimentação saudável ainda são as estratégias mais custo-efetivas para a prevenção real de diversos tipos de câncer", diz o Dr. Lucas Zambon, diretor científico do IBSP, Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.
Com que frequência deve ser feito o rastreamento?
Em geral, o rastreamento é repetido em intervalos de dois anos para a maioria das mulheres, mas pode ser feito de forma mais frequente a depender do risco da paciente.
Quem deve fazer o rastreamento?
Em geral, pode-se começar a discussão sobre o rastreamento a partir dos 40 anos, ou mais cedo, quando há casos de câncer de mama em parente de primeiro grau (mãe, irmãs).
Quando parar o rastreamento?
Não faz sentido identificar um possível câncer quando a expectativa de vida da paciente é menor do que dez anos, seja por conta de idade avançada, ou porque a paciente apresenta doenças cronicas que já estão avançadas e de difícil controle.
O que é a mamografia?
Uma mamografia é um exame de raio-X feito individualmente de cada mama, durando poucos segundos. O exame pode ser desconfortável, pois a mama fica pressionada entre dois painéis. É bom evitar realizar o exame durante o período menstrual, quando as mamas estão mais sensíveis.
E se o resultado vier alterado?
Cerca de 10% das mulheres que realizam mamografia terão alguma alteração no exame que exige acompanhamento, sendo na maior parte dos casos apenas necessário repetir o exame após algum tempo. Em 90% dos casos de mamografia alterada, não é achado um câncer de mama. Quando é vista alguma alteração no exame, é usado um sistema de classificação chamado BI-RADS. A pontuação vai de 0 a 6, sendo o nível 4 considerado suspeito e os níveis 5 e 6 aqueles mais relacionados ao câncer.
Fazer autoexame ajuda?
Atualmente, nenhuma diretriz de sociedades médicas recomenda que o autoexame seja feito como algo rotineiro, pois nunca se demonstrou haver um impacto positivo desta prática. É muito comum que a mulher encontre alterações que não tem relação com câncer de mama, gerando ansiedade e aumentando a realização de biópsias desnecessárias.
A mamografia oferece riscos?
Há sempre radiação envolvida na realização da mamografia, mesmo que em baixa dose. Mas o ponto mais importante é a questão dos frequentes falso-positivos, que são exames alterados, mas que não são câncer. Estes exames geram ansiedade, preocupação e impacto psicológico, e influenciam na decisão de novos exames.