Prática de ioga e meditação ajudam a manter a mente ativa, mais do que exercícios de memória e raciocínio, indica estudo americano.
Para prevenir ou retardar o surgimento da demência, incluindo a doença de Alzheimer, médicos e cientistas recomendam manter a mente ativa. Contudo, isso não significa bombardear o cérebro com jogos e testes de memória. Uma pesquisa publicada no Journal of Alzheimer's Disease sugere que ioga e meditação podem ser estratégias mais eficazes para incrementar a função cognitiva do que os tradicionais desafios mentais. E isso em idosos que já apresentam algum comprometimento.
No estudo-piloto, foram recrutadas 25 pessoas com mais de 55 anos, todas com comprometimento cognitivo leve (CCL). "Essa é uma condição que afeta até 20% da população idosa, sendo que indivíduos com o problema têm um risco duas vezes e meia maior de desenvolver todos os tipos de demência. Geralmente, o CCL é um antecessor do Alzheimer", observa Helen Lavretsky, principal autora do trabalho, e professora do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Califórnia em Los Angeles.
Os voluntários foram divididos aleatoriamente em dois grupos: 14 entraram no programa de ioga, e o restante participou das atividades tradicionais de treino mental. Antes e depois da intervenção de 12 semanas, todos passaram pela ressonância magnética funcional, para rastrear a atividade cerebral, e fizeram testes cognitivos padrões. Além das aulas com instrutor, os do primeiro grupo receberam CDs para praticar, em casa, 12 minutos de meditação por dia.
Ao fim dos três meses de estudo, participantes de ambos os grupos apresentaram melhoras na conectividade de regiões cerebrais associadas à memória verbal. Contudo, os que fizeram ioga tiveram mais ganhos também nas habilidades espacial-visuais, relacionadas à recordação de localidades quando se está andando ou dirigindo. As alterações verificadas nos circuitos do cérebro se traduziram em melhorias cognitivas reais: os testes mnemonicos feitos após a prática da técnica milenar confirmaram que os voluntários do grupo de ioga se saíram melhor que os do grupo do treino cerebral. Outro ganho dos praticantes da atividade foi a redução dos sintomas de depressão.
Conexão e foco
Segundo Helen Lavretsky, os benefícios da ioga para o cérebro podem ser explicados por vários fatores, como a produção aumentada de uma proteína chamada fator de crescimento neurotrófico, que estimula a conexão entre os neuronios. Outra explicação é que os exercícios, por exigirem foco na respiração e na execução de movimentos, acabam treinando a mente dos praticantes para se concentrar em uma atividade.
"Na ioga, você se movimenta em uma série de posturas estilizadas. Essa atividade requer um esforço focado para fazer as posições de forma correta, controlando o corpo e a respiração em uma taxa estável. É possível que esse foco no corpo, na mente e na respiração seja levado pelo praticante para situações do dia a dia, resultando em uma atenção maior para o que está ao redor", afirma Neha Gothe, pesquisadora de saúde comunitária da Universidade de Illinois.
Embora o estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles tenha sido piloto, a psiquiatra Helen Lavretsky diz que os resultados dessa e de outras pesquisas não deixam dúvidas de que praticar ioga e meditação é uma boa opção para deixar o cérebro afiado, além de reduzir o estresse e a depressão associados à perda de memória.