Para a mulher sem fatores de risco importantes, as sociedades médicas brasileiras recomendam fazer a mamografia todo ano a partir dos 40 anos. Desde setembro de 2025, o SUS também oferece o exame dos 40 aos 49 anos, a pedido da paciente ou do médico, e mantém o rastreamento a cada dois anos dos 50 aos 74. Quem tem histórico familiar forte ou mutação genética costuma começar mais cedo, às vezes aos 30 anos.
A dúvida é comum porque, durante muitos anos, as orientações oficiais e as das sociedades médicas não batiam. Neste guia, a Bio Scan explica o que mudou, o que dizem os estudos e como saber qual é o momento certo para você.
Por que a idade da primeira mamografia importa
O câncer de mama é o tumor mais frequente entre as brasileiras, sem contar o câncer de pele não melanoma. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos por ano no triênio 2026 a 2028, o que equivale a 71,57 casos para cada 100 mil mulheres. No Sudeste a taxa é ainda maior: 88,29 por 100 mil. Os números completos estão no nosso texto sobre a estimativa do INCA para o câncer de mama.
A doença também aparece cedo por aqui. No estudo brasileiro AMAZONA, com mais de 2 mil pacientes, 41,1% das mulheres tinham menos de 50 anos no momento do diagnóstico (Simon et al., 2019). Em São Paulo, a análise de 93.674 casos encontrou um terço das pacientes abaixo dos 50 anos (Vale et al., 2019). E as mulheres jovens tendem a receber o diagnóstico em fases mais avançadas, com tumores maiores e de comportamento mais agressivo (Orlandini et al., 2021).
O que mudou no SUS em 2025
Até 2025, a orientação do Ministério da Saúde era rastrear apenas mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos. Em setembro daquele ano, as diretrizes foram atualizadas:
40 a 49 anos: a mamografia passa a ser oferecida no SUS por solicitação médica ou por iniciativa da própria mulher, em uma decisão conversada com o profissional de saúde.
50 a 74 anos: o rastreamento a cada dois anos foi estendido até os 74 anos.
Acima de 74 anos: a indicação depende do estado de saúde e da expectativa de vida de cada paciente.
A mudança acompanha a prática: em 2024, mais de 30% das mamografias realizadas no país foram feitas em mulheres com menos de 50 anos.
O que recomendam as sociedades médicas
O Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Febrasgo publicaram em 2023 uma recomendação conjunta que é a referência para os médicos que pedem o exame (Urban et al., 2023). Para mulheres de risco habitual, a orientação é:
mamografia anual a partir dos 40 anos;
manter o exame depois dos 74 anos se a mulher estiver bem de saúde e tiver expectativa de vida de pelo menos sete anos;
usar a tomossíntese mamária sempre que estiver disponível.
O Colégio Americano de Radiologia segue a mesma linha e afirma que o rastreamento regular pode reduzir em até 40% as mortes por câncer de mama (Monticciolo et al., 2021).
O que dizem os estudos sobre começar aos 40
A evidência mais forte vem do UK Age Trial, um estudo britânico que acompanhou cerca de 160 mil mulheres por mais de 20 anos. Quem fez mamografia anual a partir dos 40 anos teve uma redução de 25% na mortalidade por câncer de mama nos primeiros dez anos, e o estudo não encontrou aumento relevante de sobrediagnóstico nessa faixa etária (Duffy et al., 2020). Os autores lembram que o estudo usou aparelhos dos anos 1990, e a mamografia digital atual tende a ter resultados ainda melhores.
No Brasil, um levantamento com dados do DATASUS mostrou que a cobertura de mamografia entre mulheres de 40 a 49 anos caiu cerca de 10,8% ao ano entre 2013 e 2020. No mesmo período, cresceu a proporção de diagnósticos em estágios avançados nessa faixa etária (Freitas-Junior et al., 2026).
Há também o outro lado da discussão. Começar mais cedo aumenta a chance de um falso positivo, quando o exame mostra uma alteração que, na investigação, não é câncer. Uma revisão sistemática estimou que 20,5% das mulheres que fazem o exame com regularidade dos 40 aos 49 anos vão passar por pelo menos uma convocação desse tipo (van den Ende et al., 2017). Por isso a decisão deve ser tomada junto com o médico, mas a maioria das entidades entende que o benefício compensa.
Quando começar mais cedo
Algumas mulheres não devem esperar os 40 anos. A recomendação brasileira de 2023 prevê um rastreamento antecipado, geralmente com mamografia e ressonância magnética anuais, nestes casos:
Histórico familiar forte, sem mutação conhecida: começar dez anos antes da idade em que a parente mais jovem recebeu o diagnóstico, mas não antes dos 30.
Mutação no gene BRCA1: ressonância a partir dos 25 anos e mamografia a partir dos 35.
Mutação no BRCA2 ou em outros genes de risco: mamografia e ressonância a partir dos 30.
Radioterapia no tórax antes dos 30 anos: exames anuais oito anos depois do tratamento, com mamografia não antes dos 30.
Biópsia anterior com lesões de alto risco, como hiperplasia atípica ou carcinoma lobular in situ.
Se você tem casos de câncer de mama ou de ovário na família, vale ler nosso conteúdo sobre câncer de mama e histórico familiar e conversar com seu médico sobre o seu risco.
Mamas densas pedem atenção extra
Mamas densas têm mais tecido glandular do que gordura, algo comum em mulheres mais jovens. Na mamografia, esse tecido aparece branco, assim como os nódulos, e pode esconder lesões pequenas. Para esses casos, a recomendação brasileira sugere mamografia anual dos 40 aos 74 anos, com ultrassonografia complementar. Nas mamas extremamente densas, a ressonância também pode entrar no acompanhamento (Urban et al., 2023). O seu laudo informa a densidade das mamas, então vale perguntar ao médico sobre ela.
Sintomas não esperam a idade certa
Tudo o que foi dito até aqui vale para quem não tem sintomas. Se você notar um nódulo na mama ou na axila, retração da pele ou do mamilo, pele com aspecto de casca de laranja ou saída de secreção pelo mamilo, procure um médico, tenha a idade que tiver. Nesses casos, o exame deixa de ser de rotina e passa a ser diagnóstico, com protocolo próprio.
Mamografia na Bio Scan
A Bio Scan realiza mamografia digital, tomossíntese, ultrassonografia e ressonância das mamas, com laudos feitos por radiologistas especializados em imagem da mama. Antes do exame, confira o que levar no dia e tire suas dúvidas sobre o desconforto da compressão. Agende pelo site ou procure a unidade mais próxima de você.
Perguntas frequentes
Com quantos anos devo fazer a primeira mamografia?
Para mulheres de risco habitual, aos 40 anos. Com histórico familiar forte ou mutação genética, o médico pode indicar o início entre 25 e 35 anos, junto com a ressonância magnética.
A mamografia deve ser feita todo ano ou a cada dois anos?
O CBR, a SBM e a Febrasgo recomendam o exame anual a partir dos 40 anos. O Ministério da Saúde adota o intervalo de dois anos para mulheres de 50 a 74 anos.
Posso fazer mamografia pelo SUS antes dos 50 anos?
Sim. Desde setembro de 2025, mulheres de 40 a 49 anos podem fazer o exame no SUS por solicitação médica ou por iniciativa própria.
Mulheres com menos de 40 anos podem fazer mamografia?
Podem, quando há indicação: sintomas, alto risco ou acompanhamento de alguma alteração. Nessa idade, o médico costuma começar pela ultrassonografia, porque as mamas tendem a ser mais densas.
Até que idade devo fazer a mamografia?
O rastreamento é recomendado até os 74 anos. Depois disso, ele pode continuar se a mulher estiver bem de saúde, após avaliação médica individual.
Referências
Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2026.
Ministério da Saúde. Novas diretrizes para o rastreamento do câncer de mama no SUS. Brasília, setembro de 2025.
Urban LABD, Chala LF, Paula IB, et al. Recommendations for breast cancer screening in Brazil, from the Brazilian College of Radiology and Diagnostic Imaging, the Brazilian Society of Mastology, and the Brazilian Federation of Gynecology and Obstetrics Associations. Radiologia Brasileira, 2023;56(4):207-214.
Duffy SW, et al. Effect of mammographic screening from age 40 years on breast cancer mortality (UK Age trial): final results of a randomised, controlled trial. The Lancet Oncology, 2020.
Monticciolo DL, et al. Breast Cancer Screening Recommendations Inclusive of All Women at Average Risk: Update from the ACR and Society of Breast Imaging. Journal of the American College of Radiology, 2021.
van den Ende C, et al. Benefits and harms of breast cancer screening with mammography in women aged 40-49 years: a systematic review. International Journal of Cancer, 2017.
Simon SD, et al. Characteristics and prognosis of stage I-III breast cancer subtypes in Brazil: the AMAZONA retrospective cohort study. The Breast, 2019.
Vale DB, et al. Downstaging in opportunistic breast cancer screening in Brazil: a temporal trend analysis. BMC Cancer, 2019.
Orlandini LF, et al. Epidemiological Analyses Reveal a High Incidence of Breast Cancer in Young Women in Brazil. JCO Global Oncology, 2021.
Freitas-Junior R, et al. Disparities in breast cancer screening, stage at diagnosis, and treatment in Brazil: a warning of the need to change public policies. BMC Public Health, 2026.