Contaminação por bactérias, e não por compostos químicos, é o maior risco.
Qual foi a última vez que você lavou sua garrafinha de plástico usada para tomar água? Essa mesma, que você usa para levar à academia ou ao parque, durante um passeio com as crianças? Mas é seguro reutilizar essas garrafinhas? Há muitos mitos sobre essa prática.
Há riscos de contaminação por compostos químicos?
Um dos mitos que circulam na internet é que as garrafas de plástico podem liberar na água componentes tóxicos para a saúde. "Em termos gerais, não há problemas de segurança para a saúde reutilizar essas garrafas", disse Ana Trancoso, professora de Nutrição e Ciências Alimentares da Universidade de Sevilha, na Espanha, à BBC Mundo.
A polêmica do BPA
Segundo especialistas, está provado cientificamente que os recipientes de plástico duro a base de policarbonato, que contêm o aditivo chamado Bisfenol A (BPA), podem liberar esse composto. Em nosso cotidiano, estamos expostos ao BPA a todo momento, já que ele é usado para fabricar recipientes, mas também latas de alimentos e bebidas.
O que acontece, segundo a professora, é que a quantidade dessa substância liberada em garrafas é tão pequena que muitos órgãos reguladores de saúde não a consideram um perigo. No Brasil, a Anvisa proíbe a importação e a fabricação de mamadeiras com BPA desde 2012. As garrafas de plástico flexíveis conhecidas como PET não utilizam BPA.
Risco verdadeiro: um ninho de bactérias
Os especialistas concordam sobre o fato de que o maior risco para a saúde associado à reutilização de uma garrafa plástica está no nível microbiológico. Por um lado, seu uso repetido pode causar rachaduras ou furos no plástico. Sua resistência foi pensada para um único uso.
E essas falhas no material são um ótimo lugar para abrigar bactérias, o que pode ser um risco para a saúde. Por outro lado, a menos que essas garrafas sejam lavadas regularmente, seu reúso acarreta uma contaminação bacteriana, com micro-organismos vindos da nossa própria boca, das nossas mãos ou mesmo da exposição ao meio ambiente.
Um estudo de 2002 publicado na revista especializada Canadian Journal of Public Health analisou amostras de 76 garrafinhas de água usadas por estudantes do ensino primário. Algumas delas estavam sendo utilizadas por meses sem ser lavadas. E dois terços delas tinham níveis bacterianos que excediam o limite recomendado para água potável.
Se você insistir em reutilizar sua garrafinha, ao menos siga essas recomendações para minimizar os riscos: antes de usá-la, garanta que não há rasgos ou furos e a lave com um detergente suave depois de usada.