Estudo holandês associa o esquecimento ao maior risco para AVC. Mas a relação vale somente para indivíduos com mais escolaridade.
Pesquisadores do Centro Médico Erasmus, em Roterdã, observaram que pessoas que se queixam, com frequência, de lapsos de memória correm maior risco de sofrer um acidente vascular cerebral, ou AVC, no futuro. As constatações foram extraídas dos dados de 9.152 indivíduos. Detalhe: a relação entre o esquecimento e os derrames foi vista somente entre os voluntários com maior escolaridade. "Em quem possui mais educação, há uma melhor consciência das limitações cognitivas, especialmente as iniciais. Possivelmente, esses sintomas leves são um sinal de alterações vasculares no cérebro", argumenta o autor do trabalho, Arfan Ikram. Os homens, em particular, devem prestar mais atenção a esses indicativos.
Quem sofre de pequenos lapsos não precisa entrar em desespero. É que outras complicações, como depressão e estresse, levam a quadros parecidos. "Uma consulta com o médico esclarece a natureza do esquecimento", afirma o cardiologista Luiz Antonio Machado César, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Hoje, controlar o estado dos vasos e a pressão arterial são boas estratégias para frear a chegada do AVC e amenizar a perda de memória.
O AVC é a quarta causa de morte de homens no Brasil. Por isso, com o passar dos anos, ninguém está livre de ter lapsos de memória. Porém, eles não devem ser ignorados.