Depois do surto de crianças com microcefalia no Nordeste, com 1.233 casos já confirmados, especialistas indicam que pode haver uma nova onda de bebês com malformações nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país.
Segundo Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, em maio tivemos mais pessoas infectadas com zika nessas regiões, e os nascimentos devem acontecer em outubro.
A situação se agrava ainda mais, segundo ele, pelo fato de o Ministério da Saúde ter trocado sua cúpula no novo governo. "A equipe do Ministério da Saúde, que era muito competente, mesmo com todas as críticas que podemos fazer a eles, que lidava com essa epidemia foi desmontada. Estamos sem condução."
Número de casos de zika no Sudeste é alto
Segundo dados do Ministério da Saúde, até o início de maio a região Sudeste tinha 46.318 casos de pessoas infectadas pelo vírus da zika, o maior número, seguido pela região Nordeste, com 43 mil. No Centro-Oeste são 20.101; no Norte, 8.545 e no Sul, 2.197.
"A epidemia de microcefalia aumenta 30 semanas após a epidemia de zika. Isso mostra que a região Sudeste e Centro-Oeste deve registrar um número significativo de microcéfalos entre outubro e novembro, quando as crianças começarem a nascer", afirma Timerman.
O teste para diagnosticar a doença só funciona nos cinco ou seis primeiros dias de infecção, quando o vírus ainda circula no sangue, ou em até duas semanas do contágio, quando ele ainda está presente na urina. Em alguns casos a doença não apresenta sintomas. Desta forma, a gestante não saberia se foi acometida pelo vírus no início da gravidez.
Atualmente a região Sudeste tem 77 casos confirmados de microcefalia causados pela zika, enquanto o Centro-Oeste tem 36.
Dos casos notificados, pelo menos 9.892 gestantes estão com suspeita de infecção pelo vírus da zika em todo o país. Destas, 3.598 já tiveram o quadro confirmado após exames ou por estarem em uma região com a incidência de vários casos.
Região Norte
A região Norte do país tem um número bem inferior de casos confirmados de microcefalia relacionados ao zika, quando comparada ao Nordeste. Enquanto no Nordeste os números chegam a 1.233, no Norte são 28 casos. "As arboviroses são doenças urbanas. Doenças comuns em grandes cidades, onde há urbanização caótica, falta de área verde e de saneamento básico", explica Timerman.
Engravidar agora
Para Timerman o ideal é não engravidar agora. "Isso de que na região Sudeste não está circulando zika é uma falácia. O vírus está circulando aqui não sabemos a intensidade. No dia a dia, temos visto muitos casos de zika, chikungunya, com transmissão aqui em São Paulo", afirma o médico.
No entanto, Marco Aurélio Sáfadi, diretor do núcleo de estudos da Sociedade Brasileira de Dengue e Arbovirose, diz que a região Sudeste entrou em uma época do ano onde os riscos seriam menores. "É possível pensar em uma gravidez agora. O risco é menor. Desde que usando repelente e seguindo todos os protocolos já instituídos", explica.