Mesmo depois de vacinado, você precisará usar máscara. Entenda o porquê.
A pandemia trouxe a mobilização de várias instituições e empresas privadas ao redor do mundo em busca de uma vacina que seja eficiente contra a COVID-19. No Brasil, a vacinação já teve início, com a primeira etapa focada em profissionais da saúde e indígenas. No entanto, com a imunização se tornando uma realidade, há uma série de questionamentos: além de prevenir os sintomas, as vacinas também podem impedir uma pessoa de espalhar a infecção?
Mecanismo de ação das vacinas
As vacinas da Pfizer e da Moderna contam com fragmentos de material genético chamados de RNA mensageiro (mRNA). Nesse caso, é uma sequência que codifica uma parte do coronavírus, chamada proteína espinhosa, fundamental para desencadear o processo inflamatório da COVID-19. É essa proteína que ajuda o vírus SARS-CoV-2 a atacar as células das pessoas.
O mRNA, envolvido em bolhas de gordura, entra como componente da vacina e ensina o sistema imunológico humano a reconhecer e combater o vírus.
O imunizante da AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, usa um método mais tradicional, colocando o gene da proteína espinhosa do coronavírus em um adenovírus que costuma infectar chimpanzés e causar resfriados. Tal adenovírus é modificado para que não possa mais se replicar.
Já a CoronaVac, da chinesa Sinovac, primeira vacina a ser aplicada em brasileiros, tem um método parecido: o coronavírus é recriado em laboratório, mas editado geneticamente. Os cientistas conseguem inativá-lo, o que faz com que ele perca seu poder de infecção, mas ainda assim estimule a produção de anticorpos pelo organismo humano.
Vírus vs doença
De acordo com Katie Ewer, imunologista da Universidade de Oxford, os participantes do ensaio estavam fazendo testes regularmente para a infecção, e diferentes taxas de infecção nos grupos de placebo e vacina sugeriram que a droga estava bloqueando a transmissão da doença.
De qualquer forma, devemos ter em mente que uma vacina contra a COVID-19 que apenas previne sintomas pode não prevenir a infecção ou sua transmissão a outras pessoas. Com isso, é possível que uma pessoa vacinada ainda seja uma portadora assintomática do vírus. E se as pessoas vacinadas ainda podem ser propagadoras assintomáticas, isso significa menos proteção indireta.
"Parte de nossa preocupação é que queremos acertar na fase inicial de alocação, garantindo que estamos direcionando a vacina da melhor maneira possível", aponta Grace Lee, professora da Stanford School of Medicine.
Por que usar máscara?
A expectativa geral é que as vacinas provavelmente tenham algum efeito na transmissão, mas por hora ninguém sabe o quanto. Diferentes níveis de proteção contra a transmissão podem fazer uma grande diferença na eficácia de uma vacina para conter a pandemia.
Se a vacina pode proteger da doença, mas não necessariamente do vírus, mesmo depois que houver a vacinação ainda será necessário continuar com algumas medidas de segurança, como o uso de máscara, até que a pandemia esteja sob controle. Mesmo que você esteja vacinado, pode transmitir o vírus para quem ainda não tomou a vacina.
Uma das dúvidas mais frequentes sobre a imunização é sobre a janela de infectividade: quanto tempo após a vacina será estabelecida a imunização no organismo? Segundo Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, a imunidade completa ao coronavírus se dá 10 dias após a segunda dose de uma vacina.
Para Michael Ryan, diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, "as vacinas não vão zerar as transmissões de COVID". Ele explica que elas são uma ferramenta adicional, porém mais poderosa, que vem para agregar o atual arsenal que temos contra a doença, como máscaras, distanciamento e higienização correta e frequente das mãos.