Período costuma ser marcado por aumento de ocorrências nos ouvidos, nariz e garganta.
Ficar doente é ruim. Ficar doente durante as férias é pior ainda, pelo fato de interromper o descanso e a diversão e ter de correr a um pronto-socorro. Mas é justamente no verão que aumenta a incidência das chamadas otites externas agudas, aquelas infecções que acometem os ouvidos e causam dor e desconforto. O período também reserva alta de infecções no nariz e na garganta.
De acordo com Gilberto Sitchin, otorrinolaringologista do Hospital e Maternidade São Luíz Itaim, no caso das otites, o cenário é causado pela maior exposição dos ouvidos à água do mar e da piscina.
"Geralmente, são processos bem dolorosos, que acometem apenas o conduto auditivo externo, poupando o ouvido médio (ou seja não acometem a região mais interna, por trás dos tímpanos). Fatores de risco são a água não muito limpa, principalmente em locais superlotados na alta estação e ferimentos locais na pele das orelhas externas, por exemplo causados por cotonetes, facilitando a penetração dos agentes infecciosos", explica Sitchin.
O médico explica que o tratamento para as otites externas agudas geralmente é feito com medicações tópicas. Para isso, o paciente precisa evitar molhar o ouvido afetado. Ou seja, diante da ocorrência da enfermidade, é realmente necessário que a pessoa se afaste temporariamente de piscinas e praias.
De acordo com Rubens Vuono de Brito Neto, otorrinolaringologista do Hospital Sírio-Libanês, o clima quente e úmido também contribui para o aumento na incidência de otites externas. O médico explica, entretanto, que o principal vilão deste cenário não é necessariamente a água (desde que esteja limpa), e sim as condições próprias de cada paciente.
"Normalmente, não há nenhum problema em atividades recreacionais na água em pessoas sem alterações nos ouvidos (passado de otites e perfurações no tímpano, por exemplo)", explica.
Cuidados com a limpeza
As alterações nos ouvidos podem ser causadas, inclusive, de forma involuntária. É por isso que os médicos recomendam muita atenção com a limpeza feita no dia a dia.
"As pessoas não devem manipular os ouvidos de forma regular, seja com cotonetes, palitos ou até mesmo a pontinha da toalha. Além de poder causar ferimentos da pele do conduto auditivo externo, facilitando a penetração de agentes infecciosos, acaba empurrando, involuntariamente, o maior volume de cerúmen para o fundo do canal, podendo obstruí-lo e tampar a audição", explica.
Ambos os especialistas explicam que o indicado é procurar atendimento médico caso a pessoa esteja sentindo coceira ou dor nos ouvidos.
Outras infecções
O verão também amplifica o número de infecções na garganta e no nariz. No primeiro caso, ocorre alta na frequência de amigdalites infecciosas devido ao aumento da ingestão de bebidas muito geladas.
Já as alergias nasais podem piorar sensivelmente devido à exposição ao cloro das piscinas. Sitchin também chama a atenção para o uso em excesso do ar condicionado no verão, por dois motivos principais.
"Primeiro, o ressecamento do ar. Se muito intenso, acaba provocando um processo irritativo na mucosa das vias aéreas e aumenta a possibilidade de infecções, sejam virais ou bacterianas. Segundo, os ambientes tendem a ficar fechados, dificultando a troca de ar e facilitando a transmissão interpessoal de agentes infecciosos de vias aéreas. A dica é não fechar completamente o ambiente, para permitir circulação de ar, além de manter a limpeza periódica dos aparelhos de ar condicionado", completa o médico.